A Menina do Coração Tagarela

Esse coração fala demais.

Revista Rock Meeting Nº36

Desamparo



             Eu gostaria de poder sentir mais alegria. Eu gostaria de poder comemorar as boas notícias, porque não são apenas notícias sobre si que podes se sentir feliz. Eu gostaria de não sentir o que sinto hoje e ser mais firme para encarar à realidade. Porém, tenho consciência que estou fazendo deste momento um fim do mundo. Entendo que pode ser uma atitude infantil da minha parte e, talvez, uma reação desesperada para fugir do que está para acontecer.
            Não estou sendo egoísta ou fraquejando no instante que devo ser mais forte para transmitir esta força, que pode emanar a partir de mim. É no momento de maior tristeza, em meio a tanta alegria, que estou afundada.
        Eu gostaria de abrir meu coração e tirar isto, é como se estivesse perdendo uma parte de mim. Não sei explicar direito, mas eu gostaria de sentir outra coisa.
            Sinto saudades desde o dia que recebi a notícia... Eu sei que não será tão longe assim. É tão perto, mas tão perto que se tornou longe esta distância que ficará de mim. O sentimento é que foi para o outro lado de mundo, que esquecerá a todos, e ficaremos aqui morrendo de saudades. Pronto falei!
            Eu posso estar sendo louca, mesquinha, dramática demais... mas sei lá, é estranho isso. Tudo isto é muito estranho. Acho que vou desistir deste sentimento para não me deixar impaciente, no entanto, nem tem como fugir dele agora, nem amanhã, nem depois, nem tampouco nos próximos dias...
         Mas sabe qual é? Sinto como se acontecesse de novo. Sinto como se o passado tivesse voltado. A diferença é que não houve um rompimento sem saber os motivos. Desta vez, fiquei sabendo do motivo no primeiro momento que aconteceu. Fiquei calada, encarei com alegria, mas meu coração rachou, eu sou pensava em distanciamento, em esquecimento, em lacunas vazias... só pensei no vazio que ficaria o meu interior.
           Este sentimento foi ficando mais forte, e cada vez mais forte. É uma alegria que me deixou desamparada. É até difícil entender, mas é bem como me sinto e vou me sentir nas próximas semanas. Vai mudar um pouco no decorrer dos dias, agora estou assim.
           Saiba que eu torço sim pela sua felicidade, e é o que mais desejo. É uma pessoa que merece ser feliz, merece buscar novos ares, merece porque é incrível, uma das poucas que já conheci e que deposito toda a minha confiança. Vai em paz. Conquiste. Viva. Conheça o mundo fora do seu mundo.  E sua amizade é muito importante para mim!

Revista Rock Meeting Nº 35

Como poder expressar a raiva?

              Sabe aqueles dias que parece que as pessoas ao seu lado tiraram o dia para aporrinhar sua paciência? A minha já estava andando numa corda bamba, uma hora ou outra iria cair. E o dia foi hoje. Nunca me senti tão isolada e ao mesmo tempo “de saco cheio” de tanta tolice ao redor, de tanta coisa que você avisa “olhe não faça isso”, “você não se lembra de que eu falei isso?”, “esqueceu o que eu falei?”, “o que foi o que eu disse?”... É meus conselhos não servem de nada.
             Eu só gostaria de pegar minhas coisas e sair por aí, andar sem ter hora para voltar, apenas desfrutando do dia, reordenar os pensamentos e tentar se encontrar novamente. Esquecer, esquecer o meu mundo, que deveria ser o melhor lugar para mim, e passar a viver no mundo real... E o meu mundo é tão fantasioso assim?
               Não, não é. É tão real que as situações mais ridículas acontecem. É, acho que sou a ovelha negra da família. Por tudo eu acho ruim, mas pense comigo: se você avisa que isso e aquilo estão errados e você tenta apontar, por que, ainda assim, acha ruim e ainda é tida como a chata, a implicante, a abusada?
            Eu prefiro ser esta que sempre reclama àquela que se cala diante das situações. É concordar demais com o erro. É ser tola demais, é fechar os olhos e fingir que tudo está bem. Eu prefiro ser assim a ser falsa, do que ser aquela pessoa que tenta sobressair às custas dos outros.
            Eu preferiria estar bem longe, mas bem longe e ver que estava certa. Mas prefiro estar bem longe e esquecer. Estou sendo contraditória. Mas esta sou eu. Com acertos e muitos erros. Não sou perfeita. Não quero ser. Talvez, não quero nem tentar ser. Estou cansada de mim. Estou cansada de tudo. Estou cansada daqueles que eram para estar ao meu lado, mas são os primeiros a virarem às costas. E como poderei confiar? Não serei eu tão confiável assim?
          É duro saber das coisas por último. Sinto-me indigna de confiança. Diria que traída. Isso me machucou bastante.  Para piorar, veio pessoas, ou melhor, daquelas que você tanto protege, daquelas que você tanto ama, daquelas que você nem gosta de ver chorar que chora também. Eu era forte. Eu era fria. Hoje sou pedaços de um sentimento guardado durante uma vida. Hoje sou quem eu deveria ter sido em cada momento da minha vida.
         Todas as frustrações do passado se uniram para desfalecer as minhas forças, derrubar a minha muralha e me deixar à mercê do que tanto me protegi: o sofrimento. Quem sabe agora eu seja mais humana. Quem sabe agora eu acordei e estou vendo o mundo como ele é. Não sinto raiva, não sinto desprezo, sinto-me traída. Só isso. Traída.

Revista Rock Meeting #34


Diminuir





         A simples capacidade humana de julgar e querer se sobressair diante dos seus. Acho que estou fadada a conviver com esta situação incômoda, injusta e, principalmente, ver o quanto uma pessoa, que carrega teu sobrenome, ser tão pequena em atitude.
          Atitude. Será mesmo que o tem? Sempre questionei se tinha amor próprio, quanto mais atitude. Não. Nem ama, por que se importaria pelo outro, mesmo que este outro seja teu parente?
          E sabe o que mais? Não sei por que ainda me importo. Mas sabe por que ainda me importo? É que, diferente de mim, não faço as críticas na frente de pessoas que não tem nada a ver com o assunto. No calor do momento, o que você poderia responder numa situação dessas? Tantas coisas, não é verdade? Só não chamaria de “bunita”.
         Infelizmente, ou felizmente, não consigo responder de imediato. Não se isso é bom ou ruim. Ao menos não comparo com tamanho desrespeito.
          Eu não posso negar que é sangue do meu sangue, mas não é por isso que devo aceitar críticas tão desconstrutivas. Sabe do que mais? Tô pouco me lixando!!!
       Mas eu senti a situação. Não sou um gelo como eu gostaria de ser, ou como eu já fui. No entanto, me envergonhei diante de pessoas tão queridas, que compartilhara alegria, a chegar numa situação tão ridícula. A eles vão as sinceras desculpas. A pessoa do meu próprio sangue, cresça!

Revista Rock Meeting #33