A Menina do Coração Tagarela

Esse coração fala demais.

While

Enquanto a vida continua em seu movimento alongado e sem pretensão por esperar alguém, ela segue no seu ritmo normal. Sem perder seu rumo normal ainda crê no encontrar de novas rotas para esquecer o que está deixando para trás junto com sua esperança desmerecida, desfalecida, morta... Suas experiências de um novo trilhar foram sendo desfeitas por atitudes mesquinhas e inúteis, muito embora deixou um vazio enorme no alcance de qualquer situação semelhante. Lágrimas já não sustentam em seus olhos, o sol já perde seu brilho natural, o verde já não é mais verde, até respirar tem sido difícil... Tentando encontrar soluções cai no primeiro levantar, enxugando sua mágoa em sua cidadela das sombras em meio à neve que recobre e congela seu coração ferido; enquanto houver gelo ali estará, fechando para o mundo, esquivando-se dos medos e opressões psicológicas, observa o campo coberto de branco, sem nada o que fazer sem cores no lugar que está... Sua vida descolorida rege seu futuro imediato, melancolia seguida de sofrimento, ódio e dor é como irmãs, a vingança perde sua força... Enquanto estiver tudo calmo nada atrapalhará, o sentimento esquecido – agora congelado – não oferece mais perigo, a solidão é um triunfo num depósito de ingratidão; o ser largado e estranho não pertence ao mesmo segmento. Ainda desposando sua imperfeição não encontra uma saída, não encontra o que perdeu certa vez, nada tem neste momento, perdeu o seu caminho, esqueceu da sua vida e seu coração de gelo não funciona mais; mesmo sobrevivendo não tem força, não têm amigos, não há alguém que a ajude, sua própria natureza não facilita ajuda... Ainda que tente entendê-la, não será; suas virtudes transviadas, sua delicadeza amargurada, enquanto dormi ao sussurro frio do alto do campo branco descobri que já não é a mesma e foge da frieza do lugar, só que uma vez congelado só um outro mais quente que poderá transformá-lo no que ele era, como não há ninguém, continua fria...

Meus ditos. Parte VI

Não gostaria de dar um fim sem deixar os meus últimos lamentos da vida injusta que tive, deixei de criar coisas belas e satisfazer a todos sem esquecer de mim, mas não foi isso que fiz... Era com uma rajada de ventos impetuosos, fez-me temer tudo o que via e desconfiar até da minha sombra, pois nela estariam os meus maiores medos no qual não queria viver as críticas, as falácias, a inveja alheia toma conta do que eu achava “justo”. Na verdade eu tinha em mim uma verdade que buscava, hoje já sei que não é bem assim e tento criar um mundo que não existe na tentativa de esquecer os meus mais íntimos sonhos, já não crio vínculos para não enganar os meus anseios e virtudes... A minha reação daqui por diante não terá cabimento nem ao menos uma separação dos fatos, tentou caminhar e não consegui, irei desisti a parti deste ponto que me incomodou durante todos esses anos, portanto, não tenho motivos de continuar aqui sem razão alguma para sustentar os meus indícios de melhora na minha revoltada vida... Vejo o horizonte e percebo a luz que me chama, vou segui-la e após tudo que irei ver contarei na entrelinhas dos meus ditos.

Meus ditos. Parte V

As atitudes da vida conspiram com as minhas, perco as forças ao debater, ao mostra seu erro, não bastou acordar de um sonho irreal, os ataques ao meu pensamento deu-se início. Preocupo-me com os que estão ao meu lado, os inocentes e até mesmo os culpados, sei que não tenho nada a perder, mas a dor seria tão forte que nem a possuidora suportaria tamanha aflição... O desejo seria inútil perto do real, à discórdia se transformaria numa tragédia, SOCORRO!!! Estou sufocada com os meus ideais, pensamentos me perturbam, caio no chão... Foi como um “flash back” tudo vi, tudo passei, não!!! Não quero viver de novo, temo as represálias, temo até a mim... Perdoa-me, fui fraca nos momentos que exigiam de mim força, fui ofendida nos princípios que acreditava, acho que chegou o meu fim... Adeus mundo, adeus pessoas, adeus a mim...

Meus ditos. Parte IV

Para frasear todo o meu lamento desfaço das minhas vontades e discordo das minhas próprias críticas, vejo no horizonte um lugar de tranqüilidade que estou buscando a cada momento de perturbação dos meus sentidos, se bem que deixei de “viver” para lutar por algo inútil, me faz sofrer até agora, não tenho noção dos passos que darei no futuro muito menos do meu ser irreal... O destino me pregou peças de ironia, menosprezou tudo o que eu já tinha feito por “ele”, na verdade nada fiz direito e o que colho hoje foi fruto do que plantei antes e não posso, agora, me arrepender... O passado me persegue de maneira tal que me isola nos piores lugares que nenhum outro ser poderia viver, tamanha é sua irracionalidade e banalidade por mim... Perdi-me pelos becos escuros à procura da luz, na necessidade de criar um vínculo comigo e assim poder sobreviver aos bombardeios do meu medo... Em vista, tenho uma posição quanto a minha condição, sei que não poderei sair da atual realidade, mas tenho a certeza de conquistar, de buscar o meu espaço... Diante do ímpeto dos fatos, o real, para mim, virou fantasia, lenda, um conto; nada mais posso fazer para reverter todo esse processo de reversão da minha personalidade que agora tem novas faces, não que a tenha mudado, mas o “sistema” transformou alguém passivo em deprimido... Adiantaria a repressão do meu instinto? Só trouxe um mundo estranho e repleto de indecisões confusas; estou sempre rastejando pelos cantos na sorte de encontrar abrigo, morada, tranqüilidade e tenho achado a pior das formas: a solidão...

Meus ditos. Parte III

Aos meus lamentos devo a minha obediência, crio um imaginário real dentro do meu universo finito, a imagem do crítico afeta o meu percurso tornando-o estranho, confuso, impermealibizado pelas estruturas do acaso... Procuro um abrigo e só encontrei lugares de virtudes transviadas, lugares de objetos sem fundamentos, lugar de indecisão, tudo para confundir a minha mente insana que transpassou por meio da minha própria atitude... Finjo estar num campo verde, ouvindo o som dos ventos tocarem a minh’alma, caminhando pela claridade do que já não vejo, luto por algo velho, deixo as minhas virtudes caírem junto com a minha desfalecida vontade de viver, eu mesma não sei voltar ao ponto que dei início a tudo que vi, a vingança seria a perda de tempo, o furor dos fatos estragam o que há de mais lindo em mim... A minha vida depende das forças que nutrem o medo que sinto, a minha percepção me engana, destrói o meu lado racional, o lado com o qual não me sustentaria até agora, adeus aos meus íntimos sentimentos pobres, adeus às mentiras que acreditei adeus a mim... Alimento o meu anseio com a divina comédia de crer em tudo que tenho em mãos... Foi o bastante, vejo uma luz, esta que foge de mim, motivo pelo qual desconheço, interrompi tudo, não quero mais nada, só quero um momento comigo mesma, confie, não farei mal a minha vida, pois quem irá passar a frente à revolta sentida, “o contentamento descontente”? Sei que ninguém manteria a minha estória em pé, acharia como um conto, apenas ilusões de quem a criou... Assim darei o meu testemunho das “viagens” que fiz ao longo do pensamento obscuro, na tentativa de “clareá-lo”...

Meus ditos. Parte II

Sei que nada tenho a perder se não buscar pelo que tanto luto, de nada vale se eu não argumentar a minha dor com alguém mesmo não entendendo a situação... Estive pensando em vários momentos que vivi, percebo coisas fúteis, irreais ao meu mundo, vivi uma ilusão dentro do meu próprio espaço, este que perdi para mim mesma... Desconheço todos os atos e atitudes tomadas, muitas sem cautela, sem racionalismo, deixei me influenciar pelas idiotices que me acompanharam durante dias e hoje já não sei sobre-sair dos meus passos... Determinar algo para mim é difícil, pior ainda quando mudança é tardia e vejo, sem meus olhos, um mundo de alegrias, sorrisos, felicidades aos quais usufrui com fervor, agora que os uso fiquei cega, eu e meus pensamentos funestos, sem lógica... Meu mundo é desfalecido pelas falas alheias, falácias e uma conturbada vida de inveja e desespero... Não imagino ter uma volta, pois tudo que eu vi não existe mais, perdi o bom senso do real e do “tocável”, irei caminhar até onde posso, meus pés já param por não agüentar tanta tristeza e mágoa... Até onde irei? Fica aí uma questão a ser resolvida, basta querer resolvê-la, mas eu não farei isso, tenho medo...

Meus ditos. Parte I

Pela minha delirante forma de como sou não estou sabendo caminhar, estou perdendo as forças da minha própria alma e vivo alienada com as besteiras e esqueço das minhas prioridades que é de viver... Perdida com meus passos e estranhas as minhas virtudes, percebo que nunca estive em mim e deixei de amar pelas prerrogativas criadas por mim e não vejo saída a não ser me isolar deste mundo para não corromper cada vez mais e mais o meu ingênuo coração... Detenho as minhas vontades apenas pela idéia de sua existência e retiro de mim as qualidades aplicadas e jogo tudo no lixo da minha mente obscura que só me faz ser confusa mais, mais... Tristeza será? Eu não irei responder... Talvez pelo o que eu seja dar para imaginar algo concreto para a pergunta... Daria muitas voltas se possível, mas enlouqueceria e não mais serei eu que contarei a próxima estória, uma simples lembrança do que fui terá um pouco de sentido, só assim terei rumo enquanto lenda eu for, o que em vida não consegui alcançar...