A Menina do Coração Tagarela

Esse coração fala demais.

Sempre sonhe comigo III

Mesmo tendo encontrado o seu amor, ela – Amélia – não está conformada em perdê-lo e deixá-lo ir, escorregando entres seus dedos o grande sonho da sua vida. Mas lamenta mais ainda por seu amor não ter sonhado como deveria, deixou de compartilhar momentos agradáveis, deixou de ver além e sonhando pequeno esbarrou em dúvidas e lamúrias. Já em casa depois do encontro inesperado com o seu amor, Amélia, chora novamente por não saber o que fazer, até mesmo pela falta de um sonho mais concreto, o seu amor caiu em uma farsa que a vida põe no caminho e ele caiu nessa. Inconformada, magoada e iludida Amélia está agora. Foram meses sacrificando o que não lhe traria um futuro, meses de dedicação, meses de cumplicidade... Ah! Amélia não pode esquecer cada canto de sua casa que lembra o seu amor, de alguma maneira, um chamado a porta, discussões que acabavam sendo resolvidas; foram várias as demonstrações de carinho eterno e o seu amor correspondia à altura, no entanto, Amélia não compreende o que houve de errado, qual foi o motivo do fim, e se pergunta sem obter resposta... Passam os dias; trancafiada em sua casa, ela não sai, não quer ver as pessoas, não quer enfrentar o mundo, o seu sonho acabou e resta congelar-se para poder esquecer o que está sendo difícil. Certo dia Amélia sai de casa acompanhada com seu desgosto pela vida e suas lágrimas intermináveis, indo para o mesmo lugar que encontrou o seu amor permanece lá contemplando o lugar e mais consciente não chora, lamenta. Depois de muito tempo neste lugar, volta para a sua casa percorrendo os mesmos caminhos, as pessoas que a vêem passar têm medo de cumprimentá-la, embora compreendam a dor que Amélia tem sentido, pois certas passagens da vida de cada pessoa que a vê já sofreu como tal e tentam ajudá-la, preferem deixá-la sozinha. O seu amor perto dali estava e sofrendo da mesma forma que Amélia, tenta arrumar uma forma de reconquistá-la. Enquanto murmura por uma volta, ele consegue – finalmente – vê-la caminhando pelos lugares que foram importantes para ambos. Amélia andava distraída e o seu amor maquinava algo, até que o reencontro é feito. Ela o recebe com a maior frieza possível, ele com um sorriso estampado em seu rosto não esconde que está feliz por estar diante dela. Amélia friamente diz: O que você está querendo com isso? Sinto muito meu querido, esta pessoa já não é mais para ti, esqueça-me, pare de sonhar, não se iluda, eu estou bem sem a sua presença. Inconformado e observando que nada do que ela diz é verdade, responde: Eu sei o quanto errei, arrependido estou e não estou satisfeito com a minha vida, sem você eu nada sou, eu te peço perdão! Mesmo com a um semblante frio Amélia se desintegra por dentro, mas não cede aos pedidos do seu amor. Ele cabisbaixo volta para onde saiu e ela o deixa sem resposta. Ainda que todos os esforços fossem aceitos, Amélia continua sonhando.