A Menina do Coração Tagarela

Esse coração fala demais.

Estar acompanhada e se sentir sozinha



Você passa boa parte da sua vida fazendo escolhas e uma delas é ficar sozinha. Mas não por medo de que alguma coisa aconteça, não por sentir medo do outro, apenas por uma simples decisão de ver tudo de longe e não se envolver muito com o mundo.

Certo momento é possível sentir a necessidade de sair da solidão e buscar uma companhia, mas logo esse desejo vai embora.

Até que chega um dia que essa solidão te deixa e começa a viver coisas que sempre quis ter vivido. Por um determinado tempo, o que vem acontecendo, parece que ter sido sob encomenda, parece um sonho. Tão logo estou vendo o pesadelo que é.

Não imagino que seja apenas uma fase, espero estar enganada. Mas nada me faz pensar do contrário. O que era um momento de alegria está se tornando um tormento. O mar de flores se foi e agora vem a tempestade de espinhos.

O tempo de maravilhas me fez mostrar o que é uma ideia pode se tornar real, me sentir viva e ter a convicção que deixei de existir para viver de verdade. Acho que agora é o viver de verdade, presumo.

Estar acompanhada era uma vontade antiga, de muitas pessoas até. Mas aquela sensação de estar numa multidão e se sentir sozinha voltam novamente. Difícil descrever como é isso, porém é terrível, doloroso e que só faz reviver um passado que deveria continuar no seu lugar.

Como uma pessoa pode mudar tanto da água para o vinho tão facilmente? O que era presente se torna distante? O que falava e agora fica em silêncio? Qual o caminho para tudo isso?

Confusa, triste, sozinha, desfalecida pelo o que tanto quis sentir. Não há outro jeito a não ser deixar tudo para lá e recomeçar.

Estou enfraquecida, de verdade. Essa pancada foi forte demais para me levantar, mas nem tudo é para sempre e tudo passa.

“Eu quero me esvaziar das dores e desilusões, (...) da prisão do passado”, quero me sentir livre novamente, quero só viver sem muitas pedras pelo caminho.

Voltarei ao meu lugar mais gélido porque lá estou segura. E minha solidão me conforta e me protege. E sei que ela não vai me decepcionar.