A Menina do Coração Tagarela

Esse coração fala demais.

As palavras que choram

Era noite e estava fazendo algumas coisas quando alguém me falou: as suas palavras choram. Foi fácil entender a princípio e voltei para as minhas atividades normalmente, no entanto, aquelas palavras permaneceram nos meus pensamentos e me dei conta com uma caneta e um papel em branco nas mãos e uma idéia a ser escrita.

Pensei em muitas coisas e confesso que não cheguei a uma conclusão. “As minhas palavras choram”, esta frase não sai da minha mente e me faz viajar a quase um ano e recordei do que acontecia naquele tempo. Outras frases perpassavam a minha vida de outra maneira. Pare de existir, comece a viver. Eu sempre carrego esta inscrição e, de certo modo, fez muito efeito e teve uma grande sonoridade. Foi o período que, quase tudo, ocorria pela primeira vez e acreditava que havia começado a viver. Pude abrir os olhos muito tempo depois e hoje sei que vivo, não mais da forma como era. Antes as palavras não tinham som, não havia emoção alguma, pois não queria perder um minuto relatando as minhas aventuras, queria mais era explorar cada momento sem deixar espaço para o marasmo e a tristeza.

Certo dia, o mundo desabou sobre as minhas expectativas e foi aí que me tornei mortal. Um simples e reles mortal. Não admiti o que acontecia e dei as costas para o que me causava dor. Fui me interessar em outros assunto para esquecer de mim. Até que deu certo por um longo período e tudo que guardei voltou e não pude evitar. Apesar de tudo, está às claras ou quase tudo. Ainda assim, gostaria de saber se o coração realmente engana. Tenho esta dúvida a partir de uma conversa que tive e esta leve sensação chamou a minha atenção. Não sei ao certo se isto é verdadeiro, o que sei é que o passado virou lembrança e já foi deixado de lado mais uma vez.

Hoje as palavras tomam conta dos meus sentimentos, pois elas transbordam o que não consigo e não posso dizer. Cada detalhe escrito é a representação das lágrimas que não derramo. E as manchas no papel mostram como foi e como está o meu coração: marcado de uma maneira que não gostaria que estivesse.

Irei sanar todas essas loucuras, por enquanto, busco na beleza das pequenas situações a minha felicidade. E tenho tido. Na verdade, muitos fatores têm contribuído para tal. Alegro-me por estar acontecendo e espero que as futuras palavras sejam frutos dos grandes sorrisos que irei ter, não mais chorarão, pois será um manancial de alegria.

O retorno das Ilustres Memórias

Sinto-me diferente nesta noite morna e apenas o ruído da casa ao lado a incomodar. À noite poderia ser igual a todas as outras. Sono. Descanso. Sonho. Poderia ser assim, mas à vontade de dormir não chegou. Então, peguei antigos manuscritos e comecei a folhear cada página escrita. Ao ler cada linha a minha mente voltou quatro anos atrás e fui revivendo cada momento de angústia e de alegria naquele período. Fui percebendo os detalhes na mudança das caligrafias. Os manuscritos pareciam mais um confissionário e a qualquer momento poderia retornar a ele e comprovar o que estava dizendo. Foram muitas alegrias, muitas explicações, várias teorias loucas e muitos amigos. Estes guardo comigo para sempre e hoje posso lhes mostrar os nossos devaneios para matar a monotonia que vivíamos naquela época. No entanto, serviu para nos unir e sermos quem somos atualmente: amigos.

Nossa! Quantas palavras estranhas, quantos sentidos loucos, quanta imaginação. Era desta maneira que progredíamos sem fazer muito esforço. Houve tempos que cheguei com o mais belo sorriso estampado no rosto, houve momentos – poucos e duradouros – que não queria falar e estava chateada com o mundo, ainda assim, superei tudo isso e vivo tranquilamente. Talvez, fosse um preparo para fortes emoções que só no futuro/presente tenho vivido e saído da turbulência da melhor maneira. Sem marcas ou qualquer ferimento, de cabeça erguida.

Ao reler os manuscritos o meu semblante era de uma criança quando ganha algo, feliz. Lembrando das cenas que originaram cada palavra escrita e tenho o prazer de mostrá-las e sorrir delas sem esperar que termine a frase. Não sei se vivi da melhor maneira possível, mas creio que foi o suficiente, nada vai me fazer esquecer e o mais legal de tudo é reencontrar as mesmas peças desse tabuleiro e jogar com outras regras apenas seguindo o coração. E bem tenho certeza que o remorso instantâneo aparecerá e, em virtude da nossa vida atualmente, passa-se uma borracha, não para esquecê-las, apenas para apaziguar o sentimento sofrido.

De todas as coisas boas existentes no mundo, nada com a alegria para atrair uma infinidade de boas ações. E antes de ler os manuscritos o meu coração estava em trevas o que já não posso afirmar da mesma forma, vive na saudade junto com a felicidade.

Princess in the tower

Novos tempos, novos pensamentos e agora à busca de um novo caminho. Diante de vários lugares que estive o ontem já não importa mais. O hoje vivo a contemplar o céu azul e o calor do sol a tocar no meu íntimo. Mesmo sem saber o que acontecerá amanhã, ainda acredito no mais fantasioso conto de fadas. É engraçado lembrar disso, o que há pouco tempo tive a ilusão de que o meu conto estava sendo realizado.

Como nem tudo pode ser eterno e ter um final feliz o meu príncipe virou sapo e a princesa permanece no seu castelo e do alto da janela fica a observar os nobres cavalheiros que esperam uma oportunidade. Muito distante desta estória, espero pela pessoa amada no intuito de ser mimada, de ser cuidada e ter momentos para ser lembrado a qualquer hora.
Sorrir bastante é o que preciso e o suficiente para agradar o meu coração e animar a vida. Ter o que sonhar e ter o que viver é o mais importante neste período da minha singela fase da vida. Foi-se o tempo de esperar, agir é a meta. Por enquanto adormeço para ter alguém que me acorde deste sono profundo e sombrio.

Do naufrágio ao resgate

Imagine-se estando em uma embarcação, navegando em águas tranqüilas, é quase impossível saber o que pode acontecer ou o que está a sua frente devido ao comodismo de toda calmaria que é vista instantaneamente; sem tribulações com o mar; sem as revoltas do tempo; sem qualquer dano na estrutura física; não há possibilidade de prevê as próximas horas adiante. No imaginário é um momento para descansar e curtir o que pode ser proporcionado.

Estive como esta embarcação por alguns meses. Não me queixava das rachaduras que foram criadas nesse período; todas as situações tempestuosas não me abalavam; as discussões não me faziam tão mal como poderia ser. Ou seja, estava muito bem, caminhando em uma mansidão e buscando a bonança diante de tantas dificuldades.

Como nunca previ nada, apenas imaginava um futuro grandioso, não me dei conta que uma tempestade estava se formando além do horizonte, quando ela chegou não tive como conter, naufraguei diante da turbulência dos meus sentimentos. Sem encontrar um refúgio ou um lugar que me abrigasse permaneci no mar da desilusão em busca de respostas para compreender o que houve de errado, o motivo pelo qual não foi registrado ou alertado nos meus sentidos que aquilo fosse acontecer.

Por muitas semanas estive sozinha e decepcionada comigo mesma por não ter feito nada e que neste momento não tendo muito que fazer. Esperar por ajuda seria o suficiente, mas naquela hora não acabava por completo toda a angústia que sentia. Bebi de várias águas: da incompreensão ao engano, da infelicidade ao incapaz, da rejeição ao completo marasmo. Busquei em lugares incompreendidos que mal sabia que existia. Passei a familiarizar mais com estes lugares na tentativa de sair da minha monótona situação.

Após meses pude encontrar o caminho de volta e estou retirando todas as marcas que ainda há em mim e todo este tempo perdida, só agora consegui enxergar o que não conseguia: A diferença. Percebo que estive lutando por algo que não é para mim. Que não faz o menor sentido estar ao lado do que não tem parte comigo. Como não pude ver isso? O questionamento veio agora, caiu de pára-quedas para me salvar, junto com ele um bote e um par de remos para navegar em novas águas.

Não é muito comum estar com alguém que não tem os mesmo pensamentos e atitudes que as suas. Como é engraçado perceber isso depois de tanto tempo!!! Sempre estive pronta para estar onde quer que fosse, para percorrer o caminho que fosse traçado, trilhar novos rumos. Não tenho tempo para brincar de futuro. Tenho pressa. Todos os meus planos foram junto com o naufrágio. Agora tenho que reconstruir tudo para um novo ideal e creio que não demorará.
Fico a lamentar que terei de fazer tudo novamente, refazer os meus sonhos, reconquistar a minha confiança perante as pessoas, sair da minha sombria maneira de sentir algo pelo outro, retirar a frieza que encobre o meu coração e tentar aquecê-lo, construir o que sempre quis ter na vida. Estou pronta, basta alguém que me complete de verdade.

Incompreendida, enganada e cega. Nunca pensei que uma pessoa pudesse me afetar tanto. Bem vinda ao mundo dos mortais. Cai do meu mundo para viver na ingratidão e na desumanidade das ações do homem. Acordei de um sonho que pensei que não acabaria. Agora viverei como estava e com mais dois motivos para seguir em frente e não olhar mais para trás. Só espero que da próxima vez consiga identificar antes que aconteça uma tragédia. Pois bem, bem vinda ao mundo real. Saí da minha fantasia para encarar a realidade e só ganhei desprezo apesar de inúmeros sentimentos novos que nasceram em mim, nem tudo foi uma catástrofe como poderia ser. Tenho lá os meus ganhos e estes ficarão no meu mundo fantástico longe das péssimas influências deste mundo. Agradeço. Estou voltando para a terra firme e nessas águas não quero estar. Nunca mais. Isso é tudo!

I confess

Gostaria de espalhar tantas coisas aos quatro cantos do mundo o que eu sinto, saber o que a vida poderia me responder, mas a única coisa que posso fazer é destinar os meus sentimentos e frustrações nessas linhas. O meu desejo é esse, muito embora quem o lê esteja com a mente aberta para compreender e viajar neste universo que só faz crescer a cada dia.
Eu confesso que as mais belas situações que vivi não estive ao lado da pessoa que depositei minhas expectativas.

Eu confesso que as minhas tristezas dão lugar ao papel e caneta e ouvindo o som das murmurações pude registrar o mais obscuro lugar que não conhecia.
Eu confesso que a felicidade bateu a minha porta após sonhar várias vezes com ela.
Eu confesso que uma parte do que sonhei aconteceu e acreditei que eu posso.
Eu confesso que o meu coração está mais frio do que antes e qualquer palavra de um grau emotivo não me comove mais.
Eu confesso que não esperava conhecer pessoas tão legais muito menos torná-los meus amigos.

Eu confesso que gostaria de estar em outro lugar para enterrar de vez o passado que assombra em momentos de leve solidão.
Eu confesso que estaria em uma vida melhor se as ações humanas fossem mais sinceras
E ainda confesso que amo quem me deixou.
Eu confesso que o meu desejo é retornar para alguns pontos da minha vida e concertar os erros.
Eu confesso que gostaria de dançar adorando ao Deus Altíssimo, fazer o que me impedem.
Eu confesso que não tenho a quem contar a minha aflição atual.
Eu confesso que sinto vontade de chorar, borrar os meus papéis para retirar o fardo sobre as minhas costas.

Eu confesso que o silêncio fere os meus ouvidos e a falta de comunicação parte o meu coração.
Eu confesso que gostaria que minha estória fosse reescrita para segui-la com felicidade e não com angústia.
Pretendo confessar ainda que o meu maior prazer era ter você de volta, mas sei que este fim não tem começo. E se estiver errada, por favor, se isso é um delírio, alguém me acorde.
Eu confesso, mais uma vez, que as minhas dificuldades não têm parte nas minhas decisões.
Eu confesso que as palavras não podem exemplificar a dor que sinto apenas refletem o mínimo que posso.
Eu confesso que gostaria de te odiar, muito embora não consigo... É muito mais forte do que eu.

Gostaria de continuar a confessar as lamúrias vividas, neste momento quero apenas lembrar que eu existo e quero viver. Cansei de depender do tempo, não suporto a idéia de esperar, afinal, tenho pressa... Pressa de falar o que já deveria ter dito e não falei. O que me resta é a dura tristeza dos meus melancólicos sentimentos à espera de um milagre.

Codinome: Felicidade

Enquanto estava na cidadela das sombras não pude enxergar o que havia de bom após os meus domínios. Caminhava na escuridão com pensamentos obsoletos aos quais seguia com maior rigor, certa vez observei ao fundo algo que me chamava e não sabia ao certo o que era, mas parecia ser bom e diferente de tudo o que já tinha visto. Tive medo de sair de onde estava. Pensei. Resolvi prosseguir. Muito além das expectativas um mundo mais claro estava nascendo dentro de mim, em minutos o lado sombrio que ocupava a minha vida foi deixando para trás e o que só me importava era aquele lugar.

A verdade é que o sentimento que tomava conta de mim era muito maior do que já tinha vivido. Não sei nomear, apenas acredito que conquistei um espaço dentro de mim que jamais pensei que existisse. Felicidade de realizar um desejo pode ser escrito desta maneira este momento, não há outra palavra de semelhante valor que possa exemplificar. Dentro da minha cidadela não cria em tal situação, ou pelo menos não tinha imagino o quanto seria bom para o meu coração. Apesar de tantas farpas que sobrevoaram as minhas indecisões, a angústia de continuar onde estava consumia a minha liberdade.

Ao ver aquele mundo que nascia não pude deixar que consumisse a minh’alma e fui desfrutando de um prazer inigualável. Mesmo com outras experiências distintas sei o quanto cada uma teve a sua importância, mas esta tem um gosto especial, e por este motivo dou boas vindas e peço para que reine. Ainda sei o quanto é difícil de entender. Mas sair de onde estava e enxergar um palmo além do que conseguia já me fez acreditar que tudo é possível, mesmo que seja incompreensível, porém eu consegui.

Agora me resta acordar, pois o sonho tornou-se real. O que espero? Não sei, o que tenho em mãos é o poder de registrar cada segundo do meu mais novo espaço conquistado. E a quem devo a honra de agradecer está onipresente. Tamanho o desejo, quão forte foi sentir e respirar o depois. Foram minutos para um novo olhar e esquecer o passado. Entrar no presente. Finalmente. Viver é a razão de sonhar. Sonhar é acreditar. Acreditar só naquEle que concedeu uma oportunidade de escolher. Meu nome?Esqueci. Codinome: felicidade.

Deixe-me sonhar

Antes de dormir me pego fixando algo na mente, não importa o que tenha escrito ou o que tenha na figura ou qual o movimento da imagem. O problema é que a última visão fica gravada e a partir daí segue-se para um sono profundo com sonhos loucos e inesperados ou desejados.

E é por esses sonhos que gostaria que fosse real, a sensação de não querer acordar é muito maior do que está acordado e isso causa frustração, pelo menos em mim. É tão distante do real que o medo de não sonhar novamente é explicado pelo senso de humor. Particularmente, houve momentos que tudo o que queria era não parar de sonhar, era tão bom, tão único e parecia estar acontecendo de verdade; era uma sensação jamais sentida, a realização de desejos que nunca poderiam ser concluídos, fico na expectativa de ter novamente ou uma continuação para acalentar o ego do que não posso conseguir.

Na noite passada, sonhei com o que gostaria que acontecesse, foram instantes ao lado do meu desejo que suspirei pedindo para não acordar. O meu maior presente seria ficar no sonho e esquecer da realidade, fugir de tudo que não dá certo e procurar nas lendas o meu ideal. Não quero parar de sonhar e espero que, em sonho, todos os meus anseios sejam sanados. Resta um passo. Pretendo persistir! Não vou desistir! Vou dormir e conquistar o meu sonho.